Ao dar as boas vindas ao novo ministro das Cidades, Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), a presidente Dilma Rousseff agradeceu ao antecessor e afirmou que a troca na chefia não deve alterar os projetos da pasta. "Muda o comando do ministério, mas a tarefa persiste. É parte intrínseca do modelo de desenvolvimento que estamos procurando", disse ela.
"Quero agradecer a colaboração, o empenho e o trabalho do deputado Mário Negromonte à frente do ministério das Cidades", iniciou a presidente, que mostrou confiança na futura relação com o ex-ministro Mário Negromonte (PP-BA) de volta ao parlamento. "Tenho certeza que continuarei com a contribuição e apoio desse baiano, deputado federal e integrante da nossa base aliada", acrescentou.
Em seguida, voltando-se para Aguinaldo Ribeiro, Dilma reiterou a importância da pasta para o Planalto e para as ações prioritárias do governo. A presidente classificou Cidades como "um ministério fundamental para o governo", de cujas missões faz parte garantir o investimento e a distribuição de renda para manter o crescimento do País.
"Acesso a moradia, à água, a esgoto, para toda a população brasileira, ordenamento urbano de qualidade em todas as cidades estão entre as metas que buscamos de maneira mais obstinada", disse a presidente. Antes de finalmente desejar "mãos à obra" a Ribeiro, Dilma cobrou do novo ministro "dedicação total a essas prioridades".
A queda de Negromonte
O ministro das Cidades, Mário Negromonte (PP), foi o sétimo ministro do governo Dilma Rousseff a pedir demissão após denúncias de irregularidades em suas pastas. Ele pediu demissão à presidente em 2 de fevereiro de 2012 por não resistir à pressão, mesmo após negar no Senado as acusações.
As denúncias começaram ainda no primeiro ano da gestão Dilma, quando o jornal O Estado de S. Paulopublicou um documento que teria sido forjado pela diretora de Mobilidade Urbana da pasta, Luiza Gomide, para adulterar um parecer que vetava a mudança de um projeto de mobilidade em Cuiabá (MT). Com a suposta alteração, os custos da obra foram ampliados em R$ 700 milhões.
Havia, ainda, a suspeita de que o tesoureiro do Partido Progressista, Leodegar Tiscoski, e outros executivos ligados à legenda favoreciam empreiteiras no gabinete do ministério liberando recursos para obras consideradas irregulares pelo Tribunal de Contas da União (TCU). Dias antes da demissão, o jornal Folha de S.Paulo publicou que Negromonte teria participado, junto com o secretário-executivo da pasta, Roberto Muniz, de reuniões privadas com um empresário e um lobista. Após a reportagem, o chefe de gabinete do ministro, Cássio Peixoto, foi demitido.